PONTAL DE CACILHAS: Fevereiro 2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

ESCOLA SECUNDÁRIA EMIDIO NAVARRO, ALMADA



A escola secundária Emídio Navarro constitui um dos primeiros ascendentes do ensino oficial secundário no concelho de Almada, cujo crescimento acompanhou a evolução demográfica vertiginosa nas décadas de cinquenta (1950 - 61.572 habitantes), sessenta (1960-70.978), e setenta (1970-108.150). A primeira escola industrial e comercial de Almada foi criada em 1955, em instalações da rua D. João de Portugal, tendo-se desdobrado, em 1958, na escola industrial e comercial Emídio Navarro. Devido ao aumento de matrículas criou-se a Escola Técnica Elementar D. António da Costa onde passou a funcionar o ciclo preparatório do ensino técnico.

A Escola Industrial e Comercial de Emídio Navarro ocupou as suas actuais instalações, na rua Luís Queirós em 1960, e a escola preparatória também, nos Caranguejais em 1969. Em 1971, em plena reforma de Veiga Simão, a Escola Industrial e Comercial Emídio Navarro é de novo desdobrada, dando lugar a uma escola de vocação comercial, a Escola Técnica Comercial Anselmo de Andrade. Esta ocupou os pavilhões pré-fabricados na Praça São João Baptista durante alguns anos, tendo ampliado as suas instalações em 1980 com a criação, depois secção, na Praça Gil Vicente (actual Escola Secundária Elias Garcia).

Em 1986 foi transferida para as actuais instalações na rua Ramiro Ferrão, no Pombal. As áreas curriculares oferecidas por esta escola até finais dos anos 70 estiveram limitadas aos cursos relacionados com electricidade/electrotecnia (que sempre constituiu grupo dominante ) e com mecânica/mecanotecnia. No entanto, devido à restruturação do ensino secundário, iniciada em 1975/76 com a unificação dos cursos gerais, foram criadas novas áreas no ensino vocacional diurno: Quimicotecnia, Desporto, Construção Civil, Introdução às Artes Plásticas, Design e Arquitectura. No ensino nocturno manteve-se a limitação às duas áreas tradicionais.
Portal da Escola Secundária Emidio Navarro

domingo, fevereiro 25, 2007

EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO DE ALMADA




Acesso : Pç. Luís de Camões (Lg. da Câmara ou Praça Nova) R. D. José de Mascarenhas, R. Henriques Nogueira
Enquadramento : Urbano. Eleva-se no topo de um quarteirão, entre dois arruamentos, frente a praça. Encontra-se, adossado a construções de menor importância arquitectónica e à Igreja da Misericórdia construção do mesmo porte.
Descrição : Planta irregular, em trapézio, com coincidência interior - exterior. Volumes articulados, compostos por edifício principal e torre de plante irregular, com disposição da massa com tentativa de alcance de um equilíbrio entre a verticalidade da torre com a horizontalidade da fachada principal, conseguida com a inclinação grande dos telhados, a elevação do segundo piso e a distribuição da dupla escadaria. Cobertura em telhado de 4 águas, com subeira, pátio, e coruchéu. Frontispício orientado a O., com embasamento. Os 3 pisos desenvolvem-se em torno da torre sineira *1, cujo sino tem gravado a data "1795", relativamente descentrada do corpo do edifício, e assenta, em parte, sobre lajedo e cantarias *2; de 1 pano entre cunhais, com os registos marcados pelo ritmo horizontal de 3 séries de vãos sobrepostos; porta de acesso ao piso térreo *3. Escada de acesso ao 2º piso, guarnecida por gradeamento, com dois patamares. A torre de estrutura compacta, tem dois registos: o primeiro contem a maquinaria de relógio, com quatro mostradores visíveis em cada uma das faces da torre, colocados em aberturas circulares; vãos moldurados em alvenaria. Brasão real sobrepujado à porta de acesso ao piso de cima. Remate das fachadas em cornija corrida e beiral. Flancos em grande parte adossados a outras construções, onde existe cantaria proveniente de antigas construções. INTERIOR: espaços diferenciado, com grande número de salas nos vários pisos. A iluminação é feita, apenas, através dos vãos do frontispício.
Utilização Inicial : Admnistrativa: Paços Municipais / Judicial: prisão *4 Judicial: tribunal
Utilização Actual : Admnistrativa: Câmara Municipal
Propriedade : Pública: Municipal
Época Construção : Séc. 18
Cronologia : Séc. 17 - gravura onde é representada a torre com aberturas para sinos, em dois pisos; 1795 - inauguração do edifício segundo a inscrição do sino do relógio com a data da fundição, oferta de D. Maria I; 1796 a 1830 - data provável de uma gravura onde o edifício da Câmara aparece ainda incompleto, faltando-lhe uma parte do lado direito; 1832 - nas gravuras após esta data o edifício aparece como existe hoje; 1868 - o pelourinho que se situava no largo em frente, foi destruído quase na íntegra; 1940, inícios - realização de importantes obras no edifício; 1985 , finais do mês de Março - iniciaram-se, no edifício dos Paços do Concelho obras de transformação e beneficiação nalgumas salas do piso térreo; trabalhos arqueológicos em torno de duas salas situadas na ala S. do edifício *5.
Tipologia : Arquitectura civil, Maneirismo, Pombalina. A torre e a porta do piso térreo têm traços classicizantes do Maneirismo, anteriores ao do resto do edifício. Do Pombalino ressalta a estrutura do edifício, a simetria da fachada, ainda que não haja fidelidade rigorosa a este estilo, pela dissimetria existente entre os volumes da torre em relação ao edifício, que teria resultado do compromisso assumido pela estética do novo edifício camarário.
Caracteristicas Particulares : nele se misturam vestígios de cantarias, de possível construção mais antiga;
Bibliografia : SOUSA, Raul H. Pereira de, Igreja de Santa Maria do Castelo, Revista Al-Madan, nº 3, Maio, 1984; FLORES, Alexandre, Almada Antiga e Moderna, Almada, 1985; SOUSA, Raul H. Pereira de, Almada - Toponímia e História das Freguesias Urbanas, Almada, 1985; IDEM, Igreja de Santa Maria do Castelo, Almadan, nº 4 e 5, Almada, 1985; BARROS, Luís, Trabalhos Arqueológicos nos Paços do Concelho de Almada, Almadan, nº 4 e 5, Almada, 1985; MORGADO Jr. António Carlos et. alt., Almada Velha: Uma experiência de recuperação in Encontro Ibérico de Municípios com Centro Histórico, 6-8 de Novembro de 1992, Actas, Santarém, 1994.
Observações : *1 - A torre parece ser o que restou da igreja de Santa Maria, após o terramoto de 1755, depois integrada no edifício dos Paços do Concelho; *2 - pertenceram a construção mais antiga. A notícia mais antiga que se conhece sobre a igreja de Santa Maria do Castelo consta de um documento de D. Afonso V, datado de 1443; *3 - esta porta teria vindo, provavelmente, da antiga Igreja de Santa Maria (SOUSA, 1984); *4 - A Enxovia, prisão masculina, no lado que dá para a R. D. José de Mascaranhas e no lado que dá para a R. Henriques Nogueira, no 1º piso, era a prisão feminina, e desse lado, mas no 2º piso, estava outra prisão masculina, a Sala; no sótão vivia o carcereiro; *5 - Encontrou-se na primeira camada uma moeda de D. Afonso V e alguns tubos de cachimbo de espuma (séc. 17) e, na segunda camada, para além de grande número de garrafas de vidro e outros apetrechos de cozinha de época recente, apareceram, igualmente, tubos de cachimbo de espuma dos séc. 18 e 19 entre outros achados de diferentes épocas.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

O MAR ENGOLE AS PRAIAS DE SÃO JOÃO DA CAPARICA

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Sempre que a maré enche nas praias do Norte da Costa de Caparica, em Almada, todos temem o pior. O cordão dunar está cada vez mais enfraquecido, mas ainda assim resistiu à preia-mar da madrugada e da tarde de ontem. Apesar disso, os danos alastraram para norte, as ondas galgaram as dunas e chegaram ao parque de estacionamento da praia de São João da Caparica.
A próxima investida do Atlântico é hoje às 05.00. Para esta manhã está também prevista uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Almada sobre o assunto. Para salvar as dunas, homens e máquinas trabalham ininterruptamente desde as 21.00 de sábado e não têm ordem para parar.
Retroescavadoras constroem fortalezas de areia que, em menos de três horas, são derrotadas pela força das águas. Há quem não veja utilidade nesta política de "tira e põe" do Instituto da Água (Inag). António Neves, presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, está convencido de que este braço- -de-ferro só terá um resultado: "Em breve não será possível remendar o que já não tem remédio." Por isso defende obras de "engenharia pesada" para combater um fenómeno que se "arrasta há anos".
Henrique Carreiras, vereador da Protecção Civil, faz coro com o presidente da junta. "A recarga de areias que o Inag está a fazer parece uma solução que tanto pode durar dez anos como dois meses", defende o autarca.Mas, para o presidente do Instituto da Água, o "trabalho de formiga" que tem sido feito desde o dia 10 de Dezembro é a solução mais adequada para proteger a costa. "Levantar barreiras de areia é o único meio de preservar o cordão dunar.
É um esforço que desaparece em cada maré cheia, mas o que conta é o facto de as dunas ficarem intactas", explica Orlando Borges.Enquanto técnicos e autarcas discutem a melhor forma de salvar a Costa de Caparica, os concessionários preparam-se para passar outra noite em branco. Luís Moura já esvaziou o Bar dos Búzios e só está à espera que o mar leve o que resta do seu apoio de praia.
Carlos Pereira, outro empresário, ainda acredita poder salvar o Pé Nu, apesar de o mar já ter destruído por duas vezes o seu estabelecimento: "Desde 2001 já fui obrigado a recuar meio quilómetro." O pior é que já não lhe resta mais espaço para retroceder.

DN / Kátia Catulo e Paula Ferreira Gonçalo Fernandes Santos